22 junho 2015

Comunicação em projetos

A comunicação em projetos precisa ser desenvolvida até o limite da clareza. Deve-se perceber a dimensão cognitiva na qual a outra parte (o interlocutor) tem maior abertura. Em outras palavras, significa dizer que se deve checar se a forma, a linguagem, o canal, o momento e o espaço estão apropriados para se veicular uma palavra.

Há indivíduos que são, por exemplo, muito centrados na objetividade e na dialógica, enquanto outros são mais envolvidos pelo sensorial, o imagético e o afetivo. Não se tratam de "categorias" ou "classes", mas de se compreender que existem diversas formas de comunicação por existirem "encontros discursivos", isto é, pessoas em momentos e circunstâncias distintas. Da mesma forma que uma pessoa não cruzará um rio duas vezes, um indivíduo não é impactado/entende uma mensagem somente com base no conteúdo. 

Não se pretende, com isso, dizer que os gestores urgem em dominar a arte/ciência da comunicação, porém, é devida, sim, a abertura para se agir diligentemente minimizando a dubiedade. Assim, além do instrumental, é importante que exista o comportamento proativo dos gestores e uma validação (contínua) de como a mensagem chega até os trabalhadores mais distantes do núcleo decisório.

Das formas de comunicação, a verbal é uma delas. Neste ponto, talvez uma confusão que possa existir, é acreditar que "ser um bom comunicador significa ser um profissional com boa oratória, com boa dicção e boa capacidade de persuasão". Este pensamento não corresponde à verdade. A comunicação começa no entendimento, na escuta ativa e cooperada, entendo o contexto e as pessoas nele envolvidas. A partir daí o instrumental de se criar a empatia, de transmitir a ideia prossegue. Há relatos, por exemplo, de líderes com problemas de fala, de voz, com pouca eloquência.

Há oficinas (workshops) especializadas para se trabalhar a ansiedade do interlocutor. A técnica diz respeito à observação do emocional e desenvolvimento das habilidades de comunicação por meio de exposição gradual. Em outras palavras, o participante exercita, em várias situações, o discurso. Fonoaudiólogos, psicólogos e profissionais com formação em artes cênicas (teatro) ajudam, porém, cabe frisar que a fala é uma parte do processo da comunicação, tal qual é a escolha do instrumental (os veículos e os dispositivos de comunicação). Há ressalvas quanto ao uso de veículos de massa, pois não se possibilita o retorno (feedback) de imediato, ao contrário dos encontros pessoais. 

Nesse mérito, revemos a importância do processo de comunicar, que implica em interagir com conteúdo expresso em palavras e em expressões, tom de voz, dentre outros. O papel do gerente de projetos é ser o centro deste processo, disseminando e acolhendo discursos. Precisam dispor de um grupo que o assessore, colaborando para se evitar situações críticas, sabendo acolher, ouvir, interpretar várias mensagens e manifestações, transformando-as em ações.
 

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